Dança dos movimentos do mar desenha o novo single de Carolino (MG)

Artista se banha nas águas salgadas em novo lançamento



Amanhã, dia 29 de maio, vão acontecer em todo o Brasil manifestações contra o grave descontrole e descaso governamental que vivemos hoje. Reivindicações urgentes serão pautadas simbolicamente nas marchas pelas ruas brasileiras, com todo o cuidado que o momento pandêmico pede: máscara adequada, álcool em gel em mãos e consciência em jogo. Para dar força e fôlego para ir às ruas, nada melhor que um afago sensorial.


Carolino (MG) jogou para bater perna no mundo seu último trabalho, o single “Navio de Papel”. A faixa é o quarto single em disparo que segue preparando o ambiente para o álbum que está por vir, com previsão de lançamento em junho. Dessa vez, o mineiro traz o convite para um pleno e descarregado banho de mar.


Em “Navio de Papel”, visitamos a narrativa de um entardecer junto das águas, sentados naquela linha tênue onde desgarramos do tempo para expandir a ideia do mesmo. O horizonte ao longe nunca pareceu tão próximo dos pés. Inspirado no mar e o que o fascínio das águas é capaz, Carolino proporciona em som e voz uma experiência física de um dia na praia, sem pressa e peso que distraia.

A faixa desponta com o vocal do artista, que canta do sol que dorme e se põe no mar, brincando com as distâncias de um crepúsculo que faz “escurecer cidades e os edifícios”. É de delicado tom o desenho das notas: os acordes brindam os movimentos das marés, dando a sensação que as cordas vão banhando a música.


Violão vira água tempestuosa que quebra em correntes nos ouvidos e na pele, deixando a desejar um dia ao sol, um dia molhado.



“Olho brilha a naufragar/ água que escorre areia pra lá e pra cá” vão fazendo o serviço de enfeitiçar o clima de quem dá o play. Navio de papel, sinto, somos nós, sendo levados pela beleza hipnotizante das águas salgadas regendo um curso próprio de vai e vem. A pegada contemporânea na construção do som flerta livremente com um senso de poesia crua na letra, tecendo o simples momento de estar ali, maravilhado pelo e junto ao mar. Nada mais doce que cantar o que conseguimos ver através da música.

A assinatura da arte de capa, onde Carolino lança um punhado de areia para o alto e no rumo do olho que o registra, fica por conta de Cléo Theodora. O artista mineiro tratou da composição e da voz, trazendo como convidada nos vocais Emília Carmona.


Na guitarra e na bateria, a presença dos irmãos consagrados do Munõz, Mauro e Samuel Fontoura. Chico Abreu tomou conta das linhas do baixo e Fabio Cadore da percussão. Toda a produção é da Infrasound Records, com mixagem e masterização de Braz Torres Neme.

Para tanto caos estrutural, um pouquinho da paz no mar. A arte segue nos salvando dos dias. Enquanto o álbum não chega, fica o gostinho dessas águas de “Navio de Papel”, novo lançamento de Carolino, que a Cena Cerrado Brasil faz em parceria com o selo paulista Alcalina Records.


OUÇA AGORA O NOVO SINGLE DE CAROLINO: