Carta-release: O “bom dia” da Cachalote Fuzz na Casa Verde Sessions



O lançamento de hoje fica por conta da gravação ao vivo da banda mineira Cachalote Fuzz, que levou sua assinatura psicodélica dançante para o estúdio Casa Verde Uberlândia em junho de 2020. Agraciados com a lei Aldir Blanc para as filmagens da session, a banda agora lança seu primeiro álbum ao vivo com o registro do dia.

Arthur Rodrigues, baterista do grupo, conta tudo sobre a trajetória da produção:


“13 de março de 2020. Fábrica de Extintores, Ribeirão Preto, São Paulo.

Naquela maldita sexta-feira, subimos ao palco pela última vez.

Antes do show, os jornais já começavam a anunciar que no outro dia o país entraria em quarentena. O medo bateu por estar longe de casa, por não saber do que realmente se tratava. Mas ainda assim tivemos uma noite maravilhosa ao lado dos amigos do Justu (SP) e Floresthá (SP). Mesmo com a casa vazia por conta daquele anúncio premonitório, nos divertimos como se soubéssemos o buraco que estávamos prestes a entrar no decorrer do ano. Tocamos, cantamos e dançamos como a música pede. Foi a última vez numa casa de shows.



Cachalote Fuzz na Fábrica de Extintores / Foto por Floresthá

Todos os planos depois daquilo pediram calma. Estávamos com o nosso primeiro full album pronto, a turnê de lançamento organizada depois de quase seis meses de planejamento, esperando apenas o momento exato para rodar na estrada. A história que veio depois disso todos nós já sabemos.


Resolvemos lançar o disco mesmo assim. Já não dava mais pra guardar e esperar pelo próximo momento certo. Nasceu Sobrevida, nosso trabalho mais intenso até então. Pela primeira vez resolvemos falar sobre os sentimentos que moldam nossas personalidades e a nossa maneira de olhar pro mundo. Daqueles sentimentos que dizem pra você voltar pra casa em algum momento, mas você se pergunta se deveria. Foi nosso primeiro encontro de peso com a identidade da Cachalote Fuzz.


Após seis meses de lançamento do disco, com projeto aprovado pela lei Aldir Blanc, convidamos os amigos Sandrow Almeidan (Âncora Filmes) e Gabriel Campos (nosso ex-guitarrista e hoje publicitário) para fazer uma session na Casa Verde Estúdio, em Uberlândia, sob os cuidados do nosso baixista e produtor Rafael Vaz. Escolhemos quatro faixas do disco e, junto ao nascer do sol, gravamos o Casa Verde Sessions.


Foram dias intensos de produção. Fizemos a pré-produção com o intuito de atender a todas as medidas de segurança em meio a pandemia. Tinha que ser rápido e também certeiro.

A saudade de tocar bateu tão forte que foram necessários apenas dois ensaios pra gente ver que estava tudo nos conformes. No outro dia já combinamos de começar toda a produção e desmontamos o estúdio para levá-lo para o quintal. Horas e horas montando equipamento e cabeando tudo com orientação do nosso Rafa.


Eram cinco da manhã, alguns haviam dormido, outros não. O combinado era todo mundo estar pronto às cinco e meia da manhã, e naturalmente o barulho na casa foi aumentando para acordar.


Duas garrafas de café, talvez até três. A ansiedade batia um pouco, afinal era fazer tudo num take só, sem espaço para erros pois a luz da manhã era o ingrediente principal, como decidiu Sandrow. Foi como se a gente estivesse subindo no palco de novo, mas o silêncio atrás de lentes, sem o barulho do público que a gente tanto gosta, provoca uma sensação totalmente nova para todos os artistas que se depararam com esse modo de se apresentar.


O primeiro acorde entrou e estávamos literalmente em casa. O resto da história está disponível no material que vocês conhecem agora. Logo menos tem novidades e, enquanto isso, seguimos lembrando que ele é genocida, sim.


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