#TáNoAr: Black Jack 21 lança o EP "True Love Is Not For Sale"

Quarteto mineiro estreia na Cena Cerrado Brasil em trabalho com quatro faixas.

Trinta anos de blues. O que não poderia ser dito num livro, a guitarra com certeza já disse. Ela lembra de que todos precisamos ouvir.


Por mais de uma década, o capítulo principal de um dos grandes nomes do blues brasileiro é escrito pela Black Jack 21 Blues Band. E agora eles estão com a Cena Cerrado Brasil.


Maurício Winckler sempre foi músico. "Eu me lembro de ter entrado nas aulas de violão com 9 anos. Aos 12 eu já tinha economizado pra comprar o meu primeiro captador e liga-lo numa caixa amplificada. Logo depois disso, montei minha primeira banda aos 14 e aos 16 recebi meu primeiro cachê. Acho que fui músico desde sempre."


Em 1991 entendeu a razão e necessidade de viver o blues, e Uberlândia (MG) ficou pequena. Mudou pra São Paulo, onde tocou com grandes nomes como JJ Jackson, Ari Borger e Celso Salim. Em 2008, o músico fez residência na cena Bourbon Street em New Orleans (EUA), com nomes como Guitar Slim Junior & Coco Robicheaux.

"Além do inglês fluente, aprendi que o Blues é muito mais que um estilo musical: blues é um estilo de vida. Da última vez que tentei explicar para um músico que estava ingressando no estilo sobre a diferença dele para os demais, utilizei uma analogia que gostei: “A música é como o Espaço Sideral, o Blues é como o fundo do Oceano."

Um bluesman pode demorar, mas sempre volta pra casa.

A história que hoje continua sendo contada, traz ao lado grande elenco. Com Iuri Resende (Cachalote Fuzz), Vinicius Silva (ex-Porcas Borboletas) e Lukas Simon (Fernanda Vital, Uganga), no novo EP da Black Jack Blues Band: "True Love Is Not For Sale".


Da esquerda pra direita: Lukas Simon, Vinicius Silva, Maurício Winckler e Iuri Resende / Foto: divulgação

Nossa editora Anna F. Monteiro conversou com Maurício Winckler sobre sua carreira, o novo momento e muito mais! Confira:


Blues te atrai desde o início ou é uma experiência que foi descobrindo nos seus primeiros anos de músico?

Eu descobri o Blues através dos filmes. Sabia que era algo forte e poderoso antes de saber o nome do estilo, Blues. Só vim conhecer a primeira banda de Blues tardiamente por volta dos 15 anos. Mas quando a ouvi, já tinha aqueles sons na minha cabeça.

B. B. King disse uma vez em entrevista que nunca aposentou porque tinha de levar o blues pessoalmente para as pessoas, tanto para o consumo delas quanto para que o estilo não caísse no limbo dentre os gêneros mais tocados. Como anda a cena do blues por aqui?

Temos novos nomes do Blues surgindo a todo momento, tanto no cenário nacional, quanto internacional. No entanto, acho que o estilo se encaixa cada vez mais no nicho regional ou Folk, com raríssimas exceções, que frequentam o mainstream.


A composição de blues é pura expressão emocional, da letra ao batimento dos acordes. Quais suas referências de maior peso na hora de compor?

Gosto dos clássicos. É quase impossível escolher um dentre tantos. Sou influenciado em momentos diferentes por músicos diferentes. Quanto ao processo de composição, normalmente, a música e a letra vem juntos sem necessariamente eu estar em um local específico, planejado para a atividade. É bem visceral e intuitivo, sem muitas regras. Exceto os doze compassos do Blues.


Conheci blues através da voz de uma mulher. Uma tia que dava aula em conservatório gostava muito das vozes femininas dos anos 40 e 50 dos EUA. Já tocou ou teve projetos com mulheres que fazem blues?

Já. Em Uberlândia mesmo, participei de um Projeto chamado Makoub Soul com Claudia Luz e Cleide Luz, que cantam muito o Blues. Além disso, em São Paulo, tive a oportunidade de acompanhar diversas cantoras do estilo.


Tem alguma história por trás da concepção do novo álbum? Como aconteceu a produção e gravação com as limitações atuais de pandemia?

Tem sido difícil trabalhar com as restrições que a pandemia nos impôs. O conceito do álbum nasce da necessidade de mostrar a sonoridade da Black Jack 21 em sua nova formação. Neste contexto da pandemia, temos tido bastante tempo pra ensaiar e a banda está cada vez mais afiada, mesmo sem os shows nos concentramos para tentar realizar encontros semanais e nos mantermos sempre preparados para o retorno. O EP é parte desse processo, de mostrarmos um pouco desse preparo tão intenso e que vem culminando um trabalho muito bacana.


Conta para a gente um som, banda ou show que gosta de revisitar sempre.

Sou fanático pelo guitarrista Albert Collins. Já assisti inúmeras vezes apresentações e sempre me surpreendo com detalhes que não havia percebido antes.


Black Jack 21 está em laboratório? Existem outros projetos em andamento ou no horizonte?

Temos por volta de 10 faixas autorais prontas para lançamentos futuros. A banda é sim, um laboratório em que experimentamos todos os estilos, do West Coast ao Jump Blues da Califórnia, passando pelo Delta, Country, Chicago Blues, até flertes com o Jazz. No momento estamos em fase de produção com o Cristiano Barbosa, quatro vídeos que serão lançados em breve.


Confira agora o lançamento de "True Love is Not For Sale", pela Cena Cerrado Brasil: