COLUNAS/ENTRENÓS: O rastro deixado pela ‘Leza’ em Uberlândia

Banda de São Paulo se apresentou pela primeira vez em solo mineiro no último fim de semana

Uma mistura de surf pop com psicodelia. Assim é definido o som pelos integrantes da banda Leza, que se apresentou pela primeira vez em Uberlândia, durante mais uma edição do Cena Cerrado no Vinil Cultura Bar, na última sexta-feira (19), ao lado dos anfitriões da Cachalote Fuzz. Depois de passar por diversas cidades do Brasil e até fora do país, o grupo estreou com grande estilo em solo mineiro, com duas apresentações e novos motivos para retornar ainda este ano.

Foto: whoeverispaula

Formada em 2017, a banda de São Paulo coleciona experiências inversamente proporcionais ao curto período de existência. Além de São Paulo, lugares como Porto Alegre (RS), Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR) e Blumenau (SC) já conheceram o som do quarteto paulista. História que, curiosamente, iniciou entre as montanhas em Santa Fé, na Argentina, como se recorda o vocal e guitarrista, Gustavo Athayde. “Começamos em março do ano passado, quando recebemos o convite para tocar em um festival na Argentina. Foi algo que deu um gás muito grande para continuar, um frio na barriga, com um show com 400 pessoas. Fizemos a apresentação e depois partimos para a turnê no sul do país”, lembra.

Mudança de cenário

Há mais de dez anos no cenário independente, Gustavo soma passagens por grupos de expressão na cena, como Cabana Café, Sara Não tem Nome e BIKE. Exemplos que, para ele, mostram uma nova realidade no segmento.

“Não importa se você está tocando para dez pessoas ou 10 mil. Estou na cena desde 2008 e vejo uma evolução muito grande até então. Antigamente, o rock estava presente no mainstream, e hoje temos muitos artistas que rodam o mundo, pagam suas contas e conseguem cada vez mais espaço, sem precisar aparecer no Faustão. Acredito que nunca esteve tão forte, e o intercâmbio cultural vem a somar a isso tudo, proporcionando novas experiências, troca de informações um público cada vez mais diversificado e animado, como vimos hoje”, completou.

Apoio aos artistas locais

Além de Gustavo, formam a banda Gallo (guitarra), e Grassi (bateria) e Érico Alencastro (baixo), ambos que entraram desde o início da turnê. Para o baterista, a evolução do cenário independente passa por um processo onde todos detêm seu grau de participação.

“Acho que banda tem, pra tudo qualquer gosto, o que falta é uma noção maior de casas de shows e de público passar a entender que fazem parte disso também, sem generalizar, perceber que uma banda andou 500 quilômetros para chegar a algum lugar e entender que também é parte desse processo. Tanto aquele que abre espaço, quanto a galera que vai sair de casa e prestigiar. Não falo apenas da música, mas tudo que é relacionado à arte independente”, disse.

Arte por Thaís Castilho

Antes de se apresentar em Uberlândia, o grupo passou por Araxá. Depois do Triângulo Mineiro, seguiu para Brasília, onde também fez o show de estreia, junto às bandas Vaga-lumes, Joe Silhueta e Consuelo, além de Cabra Guaraná. Em fevereiro, o grupo retorna para o local onde tudo começou, na Argentina.

Entre a leveza e o labirinto mental

De acordo com o próprio quarteto, o som da Leza pode ser tanto um estado de espírito harmonioso e leveza na alma, como também um sentimento de instabilidade, como quem cai em um labirinto mental, deixando a vida passar. O equilíbrio é o que ditou o ritmo do álbum duplo Expressão Solar/Reflexo Lunar, em 2017. A banda agora se prepara para o lançamento do novo disco, previsto para março deste ano.