#COLUNAS/ENTRE NÓS: O que seria de um festival independente sem o rap?

"Rap é o que cê faz, hip hop é o que você vive". Bastava a frase da banda Udischool para traduzir todas as vozes que ressoam da periferia. O grupo, que marcou presença no palco principal do Festival Timbre em Uberlândia, é um dos integrantes do selo Roça Records, criado para sustentar e abrir ainda mais caminhos para uma expressão cultural carregada de representatividade e resistência. Se tem dedo na ferida nos palcos de Uberlândia e região, muito disso se deve às mãos da Roça Records nos bastidores.

Roça Records

Oferta + demanda

Além do Festival Timbre, outros grandes eventos como o Jambolada, Baile Amor, Pré-Festival Cena Cerrado e Mineiro Beat já incluíram bandas de rap entre suas atrações. Um diferencial que, segundo o DJ Ávner Andrade, um dos idealizadores da Roça Records, apenas reflete a necessidade deste segmento no cenário cultural, seja com shows, palestras, batalhas de MC's e outras atividades.


"Acredito que o rap se impõe, e a demanda desse estilo acaba obrigando o produtor a olhar para esse lado. Na realidade, estamos apenas suprindo uma necessidade dele mesmo dar mais atenção para seu público, participando de toda a construção do evento. O rap é isso, é união, e os mecanismos de produção que temos à disposição, as parcerias, a forma como levamos tudo para o palco hoje em dia, a relação que temos com os artistas locais, é isso que movimenta, é essa cooperação mútua que rola que vem a ser o motor dessa cena na região", afirma.

Um novo olhar para o interior

Segundo os idealizadores, o termo Roça representa a desconstrução de um adjetivo anteriormente usado de forma pejorativa, com o intuito de diminuir a cena cultural do interior de Minas que, sobre um novo olhar, ganha sentido de identidade, legitimidade e orgulho das influências que os cercam. Para o artista e produtor musical Tiago Garcia, o selo também chega para quebrar uma ilusão no cenário independente.


"A diferença é que não ficamos apenas na produção. Somos nós que fazemos os próprios eventos, produzindo artistas locais e trazendo gente de fora para tocar aqui. É uma ideia que vai contra aquela ilusão de chegar a algum lugar conseguindo tudo sozinho. Uma cena solidificada, forte, é que levanta o artista, principalmente no interior. Não existe chance de qualquer gênero musical estourar nacionalmente, se não houver a construção de um movimento onde todo mundo se ajuda e que proporcione isso, dando suporte ao artista", disse.

"O rap sempre vai existir"

Roça Records e Udischool

Quem também participou da criação do selo Roça Records foi o produtor Jozé Vitor Araújo. Para quem ainda hesita em incluir o rap na sua programação, ele deixa um recado.


"A aceitação do rap sempre foi complicada e felizmente tivemos alguns eventos que deram abertura para o estilo, trazendo também artistas de maior visibilidade nacional. A verdade é que o rap sempre vai existir, com grandes festivais ou não. Seja ocupando as regiões periféricas ou o centro da cidade, sempre estará lá. Hoje temos lançamentos a cada 15 dias e os festivais são fundamentais para mostrar que existem pessoas trabalhando no dia a dia da cidade por esse movimento", destacou.


Além da Udischool, outros nomes do rap local, como Vaine, LKS (Complexo do Gó) e Falcão MC já tiveram seus trabalhos lançados pela Roça Records. Para outras informações, clique aqui.