#COLUNAS/ENTRENÓS: Dossiê Cena Cerrado 3 anos

Existe um circuito de bandas independentes acontecendo neste momento entre nós


Se a arte independente voltou a fazer parte do calendário cultural de Uberlândia, um dos responsáveis pela conquista atende pelo nome de Cena Cerrado. Talvez alguns não saibam, mas existe um circuito de bandas independentes acontecendo nesse mesmo período, com mais de 20 shows em oito eventos diferentes entre nós. Em comemoração de seus três anos, o projeto escancara ainda mais a pluralidade do cenário autoral e o potencial dos artistas locais. Dos dias 2 a 23 de setembro, cidades como Uberlândia, Uberaba e Araguari entram na rota da programação, idealizada e estruturada por Arthur Rodrigues e Fábio Masson, além do apoio de casas de shows e parcerias com outros projetos. Se a união faz a força, o Cena Cerrado é quem sopra forte por quem há algum tempo carecia de espaço nos palcos daqui.

Foto: divulgação

Efeito (Porcas) Borboletas

Arthur Rodrigues era estudante de Geografia, mas foi em 2009, ao ouvir o disco "A Passeio", do Porcas Borboletas, que se inspirou a querer fazer parte da cena autoral. "Fiquei fascinado. Estava sem perspectiva e tinha muita vontade de trabalhar com música e artistas. Até então, sequer tinha ouvido falar de música independente. A partir dali, quis fazer parte disso, mas percebi que todos necessitavam de espaço. Com o Cena Cerrado anos depois, pude colocar essa ideia em prática.", lembra.

Mudança de vida

De um projeto com festas em repúblicas em setembro de 2014, o Cena Cerrado se desenvolveu e fincou suas raízes em diferentes palcos e até cachoeiras do Brasil, se credenciando como a maior produtora de bandas independentes do Triângulo Mineiro. Mudança que, para Arthur, foi um divisor de águas. "Acredito que, com o intercâmbio cultural entre as bandas, tudo mudou. Tudo que aprendi como produtor devo ao Cena Cerrado. Hoje o projeto é a minha vida e é muito bom quando as pessoas, casas de shows e festivais também abraçam o projeto. Tivemos a coletânea, o Cachu Rock Festival em Araguari e agora o circuito de bandas. A união sempre alavancou movimentos culturais do país e isso é muito importante. Talvez a pessoa nem seja artista, mas acredita e ajuda a fazer acontecer da sua forma", completou.

Cena Cerrado em setembro de 2014 (Foto: divulgação)

Resgate de movimentos culturais

Além do Cena Cerrado, Arthur Rodrigues e Fábio Masson também dividem espaço na banda Cachalote Fuzz que, recentemente, lançou seu primeiro EP, "Brazilian Toys". Sobre esse olhar por trás e na frente dos palcos, Fábio destacou os impactos do projeto no cenário autoral de Uberlândia e região.

"Acredito que o Cena Cerrado mudou completamente como as coisas acontecem na cena independente por aqui, não só pelas bandas que tinham pouco espaço, mas produtores, designers, jornalistas, tudo. Tivemos coisas importantíssimas como o Goma, o Fora do Eixo, mas depois infelizmente parou. É uma mudança significativa e certamente temos parcela de culpa nisso. Nesses três anos, tentamos fazer de uma forma mais estruturada, mas não deu certo, e hoje estamos com quem quer fazer acontecer. Fazemos de dois até quatro eventos por mês e pretendemos dar continuidade nisso", conta.

Cachalote Fuzz e Tagore (PE) em São Paulo

Escritório e nova rotina

Com a assinatura da produtora Cena Cerrado Discos e uma parceria com a Seven Content, de comunicação digital, o projeto agora ganha endereço, com um escritório em Uberlândia. "Ali, utilizamos como base para tudo, em termos de infraestrutura, produção de arte e divulgação nas redes sociais, além de arquitetar projetos, pensar e produzir bandas e eventos. A Seven é uma agência voltada para empresas e nunca se envolveu com cultura propriamente, apesar de fazer marketing para bandas. No Cena Cerrado, vimos uma oportunidade de contribuir com a cena local com o que sabemos fazer, que é a comunicação digital. O Cena Cerrado é algo que não gera lucro para os participantes, mas cresce cada vez mais. Conseguimos aprovar uma lei de incentivo para o Festival Cena Cerrado no ano que vem e contamos com a Seven como parceira em 80% dos eventos", explicou Fábio Masson.

Circuito de Bandas

Carne Doce (GO) / Foto: Rodrigo Gianesi

Após o evento de lançamento no dia 2 de setembro, bandas como Laure Briard, da França, e o duo FingerFingerr (SP) - que se apresentou pela primeira vez em Araguari no último fim de semana - já passaram pelo Circuito de Bandas do Cena Cerrado. No último domingo, 10, a programação abriu espaço para o rap, em uma parceria com o Roça Records, primeiro selo de hip hop do Triângulo Mineiro. Os próximos destinos do circuito serão o Ovelha Negra Pub, com o Project Black Pantera e Pulmão Negro na sexta-feira (15), o Vinil Cultura Bar, com Frabin (SP) e Lava Divers no próximo dia 21, e o Groove Pub no dia 23, fechando a série de shows com as bandas Cachalote Fuzz e Carne Doce (GO).

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