#COLUNAS/EntreNós - Escritores Urbanos: "Ressignificamos as paredes", afirma Tiago Dequete


Existente desde o Império Romano, o graffiti é uma forma de arte que dá cor e vida aos muros das cidades. É dado esse nome para toda caligrafia ou desenho pintado em um suporte que não é para aquela finalidade. Mesmo com uma lei sancionada em 2011 descriminalizando o graffiti, a realidade é bem diferente.


Escritor urbano desde 1999, Tiago Dequete veio de Belo Horizonte há quatro anos para Uberlândia e, desde então, é possível ver sua arte em quase todos os bairros da cidade. O artista viaja o país todo deixando sua marca nas paredes por onde passa.


Para ele, é mais que uma simples prática. “O graffiti é uma cultura e nós atuamos de forma coletiva. Ainda que eu pinte sozinho, tenho os meus amigos. Temos as nossas normas que devem ser seguidas na rua, estabelecemos as nossas diretrizes e nossos códigos de conduta, ou seja, nós mesmos nos cobramos”, conta.


Mesmo que pela lei há diferença entre pixador e grafiteiro, o artista alega que não existe diferença entre uma prática da outra. “Todos nós somos escritores urbanos. Ressignificamos as paredes e damos uma função diferente da que ela foi criada, que geralmente é para separar espaços, e daí damos um novo significado para ela”, explica.


Com o lema “muro branco povo mudo”, Dequete vê que seu trabalho é deixar as ruas da cidade mais humanas, dando vida e cor a cada uma delas. “Todo grafiteiro atua de forma interventiva, seja com cores ou somente com um marcador, ou tudo o que for possível de deixar sua marca e mostrar que você passou por alí”, conclui.


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