Bendita trindade do dia: os últimos lançamentos de D-Volt, Enzo Banzo e Diego Mascate

Algumas novidades de março que não podem passar batido



Abrindo passagem para o bloco do “não” de Diego Mascate e Léo Pereira


O intitulado Bloco da Desconstrução Coletiva é composto pelos integrantes Diego Mascate, a Banda de Apoio, Léo Pereira (Terrorista da Palavra) e Milla Tuli, que se reuniram para a criação do single “Não é não é não”.

A tripla negativa se desenrola em formato de marchinha de protesto, fazendo ressoar o lembrete do que nos afeta numa batida carnavalesca. As crises sociais, culturais e políticas do nosso tempo e lugar são o alvo da letra do grupo.


“Ó, seu racista/ Bolsorrentista / Verme entreguista” são cantados numa liderança de voz acompanhados de um segundo vocal performado em ópera, transitando o ritmo dos gritos. “As mina vai tomar a decisão/ Não é não é não/ Não põe a mão”, e nos deparamos a cada verso com uma retomada sonoramente festiva e liricamente raivosa.


Nosso “não” coletivo é, sim, inevitavelmente regado à ódio e repulsa, repleto de cansaço diante das estruturas sociais e políticas que vivemos. A repetição da negativa é, ainda, o rascunho do real: temos posicionado nosso “não” em muitas pautas necessárias e em tantas diversas vozes quanto se é possível projetar. O eco está vivo e presente. Do nosso petróleo à Amazônia à buceta, o recado é simples: não ponham a mão.


A música, composta por Diego Mascate e Léo Pereira, foi gravada no estúdio Bern Studio Live, em Goiânia. No palco da gravação: Milla Tuli na voz e violão, Leonardo Vassoura Lane no baixo, Regis Caetano na flauta e Diego Mascate na voz e violão. A faixa também conta com a produção musical de Bernardo da Silva, além da participação do trabalho do produtor cultural Eduardo Carli de Moraes.













Enzo Banzo e as coisas por dizer no lirismo de “Burrice de amor”

“Eu sou tão burro quando eu vou falar com você” - quem nunca?


“Burrice de amor” é o primeiro single do segundo disco do músico Enzo Banzo, que já tem feito história na música junto ao Porcas Borboletas. O single foi divulgado no dia 12 de março nas principais plataformas.


A assinatura da canção se envolve com os ruídos de uma programação de rádio matinal, beirando o pico do trânsito de começo de expediente ou a volta para casa no almoço. A levada do single pega nas mãos de uma atmosfera que dialoga com o brega sem deixar que tome por inteiro a conversa. Afinal, quem é que não atuou pelo terreno da estupidez diante da criatura amada?


É bem real, a tal capacidade de desnorteio cognitivo inevitável a que todos estamos sujeitos. “Bebe cerveja ou dose/ Qual sua banda preferida/ O que espera dessa vida”, e as perguntas só crescem num estado de desvaria dos afetos.


O suingue delicadamente tensionado da música tem produção de Saulo Duarte e o lançamento aconteceu pela Matraca Records. Nos bastidores da produção: Enzo Banzo na guitarra e voz, Saulo Duarte no baixo e guitarras, João Leão nos teclados e Victor Bluhm na bateria.












D-Volt e a voz da resistência em seu primeiro álbum


O rap/hip hop de Goiânia foi um dos responsáveis pela descentralização do gênero do eixo Rio-São Paulo no início dos anos 2000. Com grandes nomes como Cl a Posse, Ivo Mamona, Look e Diretoria do Gueto, a cena chegou às paradas nacionais com hits como “Cl Aparecida”, “Chega Ai Jhow”, “Na Periferia” e tantas outras.


Prestes a completar 20 anos fazendo música, o rapper Dvolt começou em 2002 no grupo E.D.G da Zona Leste de Goiânia, onde atuava como DJ e MC, vindo se tornar o coletivo cultural Diretoria do Gueto. Em 2012 começou seu trabalho solo e lançou dois EPs: Nosso Time (2014) e Acreditando na Luta (2017).


Em 2020 começou a trabalhar no projeto do seu primeiro álbum com grande time do rap goiano: Kiko Dee, Uzzy Caçadores de Harmonia e Cine Rap.


Com influências de break beat, literatura de cordel, hardcore, cantigas populares e capoeira, D-Volt traz em seu primeiro álbum o puro rap old school. “Firme na Resistência” mostra que o gênero que foi ressignificado nos anos 90 no Brasil na voz de Racionais MC’s, SNJ e Sabotage nunca deixou de lado temáticas progressistas, como a luta da classe trabalhadora, culturas populares, igualdade de gênero e defesa do meio ambiente.

O disco tem a participação dos rappers Ivo Mamona, Black Cia, Dj Fox, do capoeirista Ronan Marrom e dos cantores e instrumentistas Marcos Matheus e Rafael Santos. As gravações, mixagens e masterização foram realizadas por Johnathan Ramos/Estúdio 1º Mandamento, Sérgio Augusto/Augustus Studio e DJ Fox/Studio 100% Correria. A arte de capa foi desenvolvida pelo designer Ronan Marrom e fotografia de Nayara Jeniffer.