HOJE: última edição do ano do Triluna tem zine e grandes shows

Brvnks no palco. / Foto: Foxes

A última edição do Triluna Apresenta, chega ao Vinil Cultura Bar nesta quinta, para fechar o ano com grandes nomes. Lutre (GO), Brvnks (GO) e a prata da casa, Lava Divers se apresentam a partir das 22h. Além das bandas, acontece o lançamento do zine "Necessário Para Quem Precisa". Fizemos uma entrevista com Mariana Elisa e Luana Angélica sobre o lançamento do Zine, e um breve passeio sobre o que você pode esperar pra hoje. Confira!

Lutre

Intensidade é a palavra-chave para descrever a banda goiana Lutre, com suas composições que prezam por uma delicadeza sincera e uma crueza sonora. No processo de criação de seu primeiro disco, eles se associaram a uma outra banda conhecida pelas mesmas características: a carioca Ventre. O resultado pode ser conferido no recém-lançado “Apego”, já disponível nas plataformas de música digital.

“Conhecemos a Ventre num show que fizemos juntos em março de 2016, no Complexo Estúdio (Goiânia). Logo após o show, numa conversa em volta da mesa de merchandising deles, nos convidaram pra gravar um EP em seu estúdio no Rio de Janeiro. Sem saber como reagir direito, aceitamos e logo já corremos pra ver datas em que todos pudessem estar juntos e comprar as passagens”, conta Chrisley Hernan, baixista da banda.

Ele forma a banda junto de Marcello Victor (guitarra e vocal) e Jefferson Radi (bateria). O power trio de rock alternativo surgiu em 2015 e no pouco tempo de existência, já passou por palcos importantes como o Festival Bananada e Festival Vaca Amarela em sua tour nacional. Em janeiro de 2016, lançaram seu primeiro EP e miram alto com o lançamento de “Apego”.

BRVNKS

Já não é novidade para ninguém que Goiânia é um dos principais centros musicais do país. Inúmeras bandas surgiram nos últimos cinco anos na capital; o ecossistema criado se mostra cada vez mais diverso e permissivo para que artistas encontrem um público local antes de sua expansão, cada vez mais certeira, rumo aos centros do Brasil.

Dentro desse ambiente rejuvenescido, Bruna Guimarães se enquadra como um observadora de música estrangeira que a tomou sob modos brasileiros.

Brvnks, seu projeto pessoal e autossuficiente é o anseio de se mostrar uma voz enquanto tantas são ouvidas. No entanto, basta uma primeira audição em “Lanches”, seu primeiro EP, para que haja o entendimento de que se está diante de uma amostra diferente do som esperado atualmente na capital. Guitarras ensolaradas com vestígios da retomada da Surf Music de nomes como Best Coast e Alvvays surgem na abertura “Freedom is just a name (For What I Want You To Be)”. A faixa é um convite irresistível à dança com seu refrão viciante e confunde facilmente o ouvinte: estamos ouvindo uma artista brasileira ou estrangeira?

Nessa pegada, dá pra saber o que esperar pra hoje. Vamos dançar?

Lava Divers

Os queridos de Uberlândia/Araguari já são mais do que conhecidos no triângulo mineiro e estão se mostrando uma grande promessa no cenário nacional.

Com lançamento de "Plush" pelo selo carioca midsummer madness, a banda tem feito grandes shows por festivais do país como Festival Se Rasgum (Belém-PA), Jägermeister Grounds (SP), entre vários outros. A volta ao Vinil Cultura Bar, é pra apresentar este show mais do que especial, já que a baterista, Ana Zumpano, também é uma das produtoras do Triluna.

ENTREVISTA: Mariana Elisa e Luana Angélica, do zine "Necessário Para Quem Precisa".

1 - Me falem como surgiu a ideia de criar este zine e como foi o processo de produção.

[Mari] Luana e eu sempre acompanhamos de perto a produção artística que tem surgido em Uberlândia. Luana teve a ideia inicial, pensamos que seria massa compilar essa produção e tentar mostra-la pra mais gente. Ela pensou no formato de zine por ser algo presente no meio underground e também ser algo fácil de produzir. Já temos em mente algumas outras criações.

[Luana] A ideia surgiu da carência da cidade em conteúdo impresso periódico, que seja barato e de fácil acesso. eu voltei a produzir muito depois das férias da faculdade que duraram 10 anos e comecei a sentir falta de ver minha produção impressa também. Muitas meninas têm produzido material maravilhoso na cidade então tive a ideia de compilar algumas dessas imagens e editar um zine. A Mari sempre foi uma amiga muito próxima e com uma sensibilidade gigante pra apreciar diversas manifestações artísticas, então não pensei duas vezes em dividir a ideia com ela. O processo de produção foi muito simples, convidamos as ilustradoras que toparam e abraçaram a ideia em sua maioria. não impomos nenhum tipo de censura as imagens, as próprias ilustradoras selecionaram a melhor imagem para ser vista em preto e branco. Nós fizemos a curadoria da disposição das imagens dentro do zine e o texto ficou por conta da Mari.

A era digital trouxe vários meios de compartilhamento de ideias e informações, mas o zine ainda sobrevive firme no cenário independente. Qual é o maior prazer ou motivação de se fazer um zine hoje em dia?

[Mari] Desde que entrei em contato com a cena underground e conheci os zines gostei muito da ideia, fiz até uma pequena coleção com zines daqui de udi da época do festival Jambolada, de Patos de Minas, de Goiania, Ouro Preto, Rio de Janeiro e outras cidades. A ideia de poder produzir algo totalmente seu e de seus parceiros, com baixo custo e que pode circular por vários meios é sensacional. Acho que o zine sobrevive no underground e nas ruas por causa dessa liberdade artística que se tem ao fazê-lo, que é diferente de escrever ou postar algo nas redes sociais, que é um meio em que as coisas se dissipam mais facilmente. Conheci pessoas em Ouro Preto e no Rio de Janeiro que ganham seu sustento produzindo zines de poesia e vendendo na rua. Esses exemplos mostram a força de resistência do zine.

[Luana] As redes sociais são maravilhosas pra divulgar o próprio material e compartilhas referencias, mas o prazer de ter o material impresso na mão é uma mágica que nada substitui. Produzir e editar seu próprio material é ótimo. É lúdico, divertido dá pra fazer tomando cerveja e é barato. É só alegria.

O nome "Necessário Para Quem Precisa", já adianta alguns possíveis temas abordados. Se pudesse resumir o que mais precisamos em uma palavra, qual escolheria? E por que?

[Luana] Necessário pra quem precisa é quase nonsense, redundância que soa bem. Apreciar arte, pra quem gosta, é uma necessidade vital. É mais ou menos esse o sentido desta frase. Nos próximos virão outros devaneios.

Além da parceria de vocês, também notamos a colaboração de várias outras mulheres no projeto. Todas as edições serão no mesmo formato?

[Luana - Mari] Sem dúvida apoiamos o trabalho das mulheres na cena artística e achamos necessária a presença delas em todos os espaços. Essa primeira edição acabou sendo com trabalhos só de mulheres, porque foram as primeiras ilustradoras que vieram a cabeça mesmo, e que realmente estão dominando essa cena. Pensando nas próximas, elas serão no mesmo formato, sempre colaborativo. Queremos expandir o círculo de artistas colaboradores de diversas linguagens, de Uberlândia e cidades próximas.

O que podemos esperar pras próximas edições do projeto?

[Luana] Temos algumas ideias para zines temáticos tanto na linguagem da ilustração quanto na linguagem da escrita. Seria um sonho poder editar algo colorido e trazer artistas de outras cidades.

Este espaço é destinado pra vocês darem algum recado, provocarem alguma reflexão ou qualquer coisa do tipo.

[Luana] Se sentir que tem alguma importância, liga o foda-se e produz seja o que for. Criar, produzir e conhecer artistas é crescer com a troca inerente. Publicar um zine é uma maneira muito honesta de registro e uma forma poética de viver mais.

Serviço:

Triluna Apresenta: Lutre (GO), BRVNKS (GO) e Lava Divers.

Lançamento oficial do zine "Necessário Para Quem Precisa", de Mariana Elisa e Luana Angélica.

Horário: 22h

Entrada: $10 antecipado

Local: Vinil Cultura Bar