#COLUNAS/FICHA TÉCNICA: Última chamada

A avenida Rondon Pacheco se apropriou do deserto do Saara. Nenhum pingo toca a terra antes do verão. Enquanto isso, a seleção brasileira rema forte rumo à Rússia. No barco pela primeira vez, a Islândia não se lembra da noite anterior. Para os EUA, resta desfazer as malas após 31 anos com lugar cativo entre os candidatos. Do outro lado do muro, alegria. Quem carimba o passaporte é México, Panamá e Costa Rica. Uma expedição distante para o peculiar Marco Polo brasileiro, exímio navegante de águas turvas.

Foto: Divulgação

Mais inusitado que as possibilidades reais de Marco Polo Del Nero reeleger no comando do futebol brasileiro, será a figura ilustre de islandeses e panamenhos em solo russo em 2018. A alegria transcende a alma, feito a comemoração do Egito após a primeira classificação depois de 28 anos. Copa do Mundo é jogo rápido, certeiro, que inflama o peito feito a táuba de tiro ao Álvaro de Adoniran Barbosa em 1973. Ave Nossa Senhora Aparecida! Podem publicar no Diário Oficial, a vaga é toda nossa!

Paraguaios tinham a vaga nas mãos até tropeçarem feito Saci-Pererê na ladeira frente à Venezuela. Uruguaios e colombianos não deixaram escapar. Bicampeões da América, os chilenos passam a enxergar o torneio continental como os brasileiros veem a Copa das Confederações. Enquanto isso, os peruanos levarão a magia do império Inca para a Nova Zelândia. Suspeitas de combinação de resultados sempre existiram, a Argentina que o diga. Nossos hermanos não viajariam se a Conmebol proibisse a escalação de alienígenas. A ausência do onipresente Lionel Messi seria azar demais para o principal encontro de agremiações nacionais.

Assim como a Argentina, o Brasil será um dos oito cabeças de chave do torneio, ao lado da anfitriã Rússia, a impiedosa Alemanha, a geração Tartarugas Ninja da França, a turma da Premier League da Bélgica, a Polônia de Lewandowski, artilheiro das eliminatórias europeias, e Portugal, atual campeão europeu. Na repescagem, Suíça, Itália, Dinamarca e Croácia, de um lado, medem forças com Irlanda, Irlanda do Norte, Suécia e Grécia, com os embates ainda a serem definidos. Quem limou qualquer chance de ainda lutar foi a Holanda, que esteve ausente da última Eurocopa. Além da vaga, os holandeses perdem Robben, que se aposentou após 14 anos de serviços prestados pela ex-Laranja Mecânica.

Sérvia e Inglaterra são outros europeus garantidos na Rússia. Além do Egito, a Nigéria também figura entre os africanos para mais um mundial. Tunísia, Congo, Senegal, Marrocos, Costa do Marfim e Burkina Faso ainda brigam pelas outras três vagas disponíveis. Na Ásia e na América Central e do Norte, resta saber quem sorrirá por último na repescagem entre Austrália e Honduras. Irã, Coreia do Sul, Japão e a Arábia Saudita do técnico Patón Bauza asseguraram a candidatura no oriente.

A partir desta semana, o Brasil da 'titebilidade' se prepara para o principal motivo de tudo isso. Desde 2005, uma seleção não encanta como a de Marcelo, Daniel Alves, Casemiro, Paulinho, Coutinho, Neymar, Jesus e o seu Adenor. Com Tite no comando, foram 32 pontos conquistados de 36 disputados. Do sétimo lugar à liderança isolada, com um poderio atrás apenas da Argentina de 2001. O recorde de 43 pontos permanece da turma de Batistuta, Crespo, Ortega e Verón, que fracassou no ano seguinte. Então, o que esperar dos brasileiros para 2018? Para quem viveu o 7 a 1, qualquer expedição é passível de naufrágio.