#ENTREVISTA ENTRENÓS - Sick: "Se você quer mesmo, tem que mexer o doce"


Foto: Moviola Mídia Livre

Segundo o dicionário informal, ‘recreativo’ significa: “sujeito que usa o tempo para se divertir, descontrair, tende a haver hora para começar e não tem hora para acabar. Usar bem seu tempo, disposto a relaxar fazendo e usufruindo daquilo que gosta. Divertido”. Essa pode ser a definição do primeiro álbum da banda instrumental Sick, lançado no último dia 18, ‘Para uso recreativo’, que traz nas 12 faixas (além da bônus ‘Noix’), o post-rock psicodélico mineiro. Formada por Guilherme Levi (bateria), Raphael Tx (baixo), Douglas de Souza (guitarra) e Lucas Vidal (guitarra), os caras que instrumentalizam os eventos independentes em Uberlândia e região trocaram uma ideia com a equipe do EntreNós antes do show de pré-lançamento do novo disco, no quintal do NossoTrampo. Confere aí!




Evolução do ep ‘Light Switch’ até chegar ao ‘Para uso recreativo’


Raphael: “Primeiramente, acho que a mudança se deu por muita de dedicação, de estudo. Começamos dedicar mais. O João (Levi) é professor de bateria, então ele começou a dar mais aula e a estudar. Isso influenciou muita gente da banda. O Pedro (Negreto) também, quando ele estava na banda dava umas aulas também, comecei agora a dar aula... Então assim acaba fluindo muita coisa. Partindo do estudo ali mesmo, da música. Acredito que basicamente é disso que vem a mudança”.



Processo criativo de uma banda instrumental


Raphael: “Acho que é uma coisa muito espiritual, que já vem. Nós aprendemos a música, parece que a música já está pronta. Vamos entendendo, por exemplo, normalmente os guitarristas chegam com os arranjos, que é a linha principal. A partir daí, a banda toda acrescenta. É muito intuitivo, só acontece. Vamos entendendo a música, parece que é o contrário, é bem doideira”.

Foto: Olívia Franco (Moviola Mídia Livre)

Para uso recreativo?


Raphael: “Como o nome do CD né, é uma apologia. É uma posição política. O nome ‘Para uso recreativo’ foi bem político, escolhemos pelo contexto histórico que tá rolando, a descriminalização, legalização da maconha, somos usuários, não vemos problema nisso e ponto final. Então resolvemos levantar essa bandeira aí, achamos isso importante. E os nomes das músicas tem haver também com isso. O CD também é para o uso recreativo, literalmente”.



Rolês para banda instrumental independente: “se você quer mesmo, tem que fazer”


Levi: “Na maioria das vezes, por ser instrumental, a galera coloca a gente pra abrir os shows porque não tem vocal. Mas isso é mais a galera que não tem experiência com o rolê da cena mesmo, porque quem tem, vê mais o que a banda fez, a história. Estamos saindo dessa barreira. Como o que a gente toca é muito novo, nós mesmo que fazemos os rolês. Então, de tanto a gente fazer isso, criamos o ‘Mexe o doce’, que é uma concretização daquilo que queremos. Um nome daquilo que já vinha acontecendo, que tava rolando, essa coisa de fazer festa, porque realmente não tem muito incentivo de bem público, essas coisas. É um estilo musical bem novo. Aqui na cidade, por ter pouco incentivo de cultura e no geral, se você quer mesmo, você tem que fazer, mexer o doce”.



Sick + Nosso Trampo + Coletivo Mexe o Doce


Levi: “A casa meio que abraçou a gente. Principalmente os meninos (Ronaldo e Renan), desde o começo, sempre abriram a porta. E tem essa relação de trabalhar junto também, saca? Eles abriram o espaço pra gente fazer os eventos juntos, e eles também colocam a banda pra frente, trampando junto, fazendo o material. E agora, depois que entramos na gravadora, meio que concretizou isso com o Renan, dele abraçar mesmo a banda, ser um produtor administrativo, fazendo post da página, essas paradas. É meio que uma família, saca? Vocês mesmo (do EntreNós) são pessoas que estão aí já, agregando por ter coisa em comum. Todo mundo se unindo. E tem que tentar levar isso para fora também, igual a galera da gravadora pirou no trampo do Folia dos Reis, um leva o outro pra frente.



Selo e próximos passos


Levi: “O Sine Wave Label é um selo de São Paulo em que a maioria das bandas são instrumentais. E o Lucas Mortimer de BH, que gravamos o disco, meio que mandou o material para uma galera, eu também, e eles marcaram uma reunião via Skype, que eles tinham interessado, o cara explicou a história da gravadora, foi bem doido. Não tem nada escrito, físico, é só boca a boca mesmo e tamo aí. Eles distribuem as músicas em todas as plataformas digitais e é tudo por conta deles, além de marcarem shows também. Dia 26, estaremos em BH, no show de lançamento da gravadora, com outra banda instrumental do selo, também da cidade”.

**A produção é da banca com co-produção de Gabriel Murilo, o álbum foi captado no estúdio Mortimer, em Belo Horizonte (MG) e mixado e masterizado por Rafael Vaz no estúdio Casa Verde. Os próximos shows serão dia 24 de agosto no London Pub, 26 de agosto e 2 de setembro em BH.

Confira a resenha do disco aqui