#ENTREVISTA ENTRENÓS - Lava Divers: “Vivemos nosso melhor momento”

August 17, 2017

Festival Bananada, Goiânia. Circadélica, Sorocaba (SP), Stereo Lab Festival, Uberaba, Tubo Cultural, Belo Horizonte, e Centro Cultural São Paulo (CCSP). Em três anos, esses foram alguns dos destinos de Joe Porto (voz e guitarra), Glauco Ribeiro (baixo e voz), Eddie Shumway (guitarra e voz) e Ana Zumpano (bateria e voz), de Araguari e Uberlândia. Juntos, eles figuraram entre festivais, casas de shows, coletâneas e até documentário de guitar bands brasileiras, colocando o nome da Lava Divers na rota do cenário independente nacional. Com todas essas credenciais, a banda, que recentemente lançou seu primeiro disco cheio, “Plush”, é o destaque de hoje da coluna EntreNós. Confira!

 

 Lava Divers no Centro Cultural São Paulo (Foto: Filipa Andreia)

 

 

PLUSH: Fazendo um parâmetro com o primeiro EP, como foi a evolução da banda até o disco novo? Como está a aceitação do público?

 

"Estão saindo muitos reviews do disco, todos muito positivos (até agora). Nos shows, as pessoas estão vindo dar bons feedbacks também. Está bem legal. São discos muito diferentes. No EP, feito logo após a formação da banda, tínhamos uma proposta consensual de fazer algo mais voltado pro shoegaze. Depois, à medida que fomos trazendo mais composições, tocando juntos, as músicas foram naturalmente tomando um rumo diferente, pegando um aspecto mais das guitar bands, do noise, grunge e punk noventista. No "Plush", houve também um preciosismo maior em relação à pré-produção, arranjos, letras". 

 

Como foi o processo criativo das músicas? 

 

"Democrático e intenso. Tem composição de todo mundo lá. Fazíamos ensaios e reuniões de produção, onde levávamos músicas que escrevíamos em casa. Às vezes, surgia um riff ali mesmo e a música simplesmente acontecia. Todo mundo dando opinião em tudo, com sinceridade e sem rodeios. Pro "Plush" sair, muita música foi para o lixo, outras foram para coletâneas e não entraram no disco. Foram três anos muito criativos pra todos nós. Estamos felizes com todas as 11 faixas".

 

INTERCÂMBIO CULTURAL: "Nos ajudamos com transporte, hospedagem e tudo mais que precisar"

 

"Nesses três anos de banda, tocamos com muita gente nova, como o Travelling Wave, Miêta, My Magical Glowing Lens, e com artistas que éramos fãs desde os anos 90, como o Cigarettes e o Second Come. O rock independente ainda é um mercado bem restrito e, todo mundo no mesmo barco, acabamos nos apoiando logisticamente (nos ajudamos com transporte, hospedagem e tudo mais que precisar). Além, claro, do intercâmbio artístico, onde uma banda acaba influenciando outra musicalmente".

 

Em 2016, banda foi um dos destaques do documentário "Guitar Days - An Unlikely Story Of Brazilian Music"

 

 

CENA INDEPENDENTE: Mais profissionalização e aumento de público

 

"Acho que existe uma cena local rica e produtiva no momento. Tem banda de tudo quanto é jeito pipocando e todo mundo bem produtivo. Parece que existiu um hiato e as bandas tinham sumido depois que o Goma fechou. Mas com surgimento de novos coletivos e de novos lugares pra tocar, rolou uma injeção de ânimo. A região virou também pólo para grupos de fora graças a isso. É um momento muito bacana de se ter uma banda no Triângulo Mineiro. Mais profissionalização e o aumento de público, para que esse momento perdure, são processos naturais de tudo isso que está acontecendo".

 

DESAFIOS: “Vivemos nosso melhor momento”

 

"A recepção do EP, com aquelas quatro músicas, já tinha sido bem boa e esse trabalho levou a banda a muitos lugares bacanas. Depois do lançamento do disco, isso vem aumentando exponencialmente, existem mais pessoas prestando atenção no que estamos fazendo e isso é incrível. Além dos festivais, estão chegando convites do Brasil todo e a agenda está cada vez mais apertada. Tem muita coisa boa acontecendo e vivemos o melhor momento desde o surgimento da Lava. Queremos aproveitar isso e tocar o máximo possível, fazer turnês em diferentes regiões e, se tudo der certo, fora do país no ano que vem. Estamos focados também em botar esse disco em vinil o quanto antes".

 

ARTE E MÚSICA: Para o primeiro EP, vocês decidiram lançar também em formato de vinil. De onde surgiu essa ideia?

 

"Somos velhos, essa é a verdade. Aprendemos a ouvir música nesse formato, que não é melhor ou pior que qualquer outro, mas que adoramos. O ritual de pegar um vinil, colocar na agulha e folhear o encarte, ler os agradecimentos, curtir a arte da capa... somos fãs disso. Na verdade, ter um vinil prensado das nossas músicas é um dos motivos da Lava Divers existir, isso é um fato. Sem dúvida queremos fazer isso com o "Plush". Podem esperar que, em breve, vai ter aquele monte de pelúcia em versão palpável; estamos ansiosos para isso".

 

Representatividade e voz feminina na cena: Ana Zumpano

 

"A Zumpano é uma artista incrível. Conhecemos ela primeiro no palco e depois criamos um vínculo muito bonito nas nossas vidas cotidianas. Nós quatro somos muito amigos e, pra gente, tocar ao lado dela é um tremendo prazer. Esse papel que ela tem no movimento feminista surgiu naturalmente dela. Nesses três anos que trabalhamos juntos, vimos ela se envolver cada vez mais no assunto. Não sei, talvez a vivência dela como baterista de uma banda independente tenha feito com que ela percebesse com mais clareza as injustiças envolvidas nas questões de gênero e ela respondeu da melhor forma possível: com força e talento. Como amigos e colegas de banda, apoiamos-lhe 100% e a admiramos muito por isso".

 

 

Confira a resenha sobre “Plush”.

Acesse o site da banda.

Créditos foto de capa de Plush: Moviola Mídia Livre

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