#ENTREVISTA EntreNós - Porcas Borboletas: "Estamos sempre à espera do acaso"

August 2, 2017

 

O lugar não poderia ser outro. Com 18 anos de história, a Porcas Borboletas voltou a praça Sérgio Pacheco no último domingo, 30, em Uberlândia, para o lançamento do seu quarto disco, intitulado “Momento Íntimo”. Antes de subirem ao palco do Arte na Praça, Ricardim (teclado e sampler) e Enzo Banzo (voz e violão) falaram EntreNós. Em pauta, a expectativa com o novo disco, a relação com o público, as transformações e os desafios de concretizar o novo trabalho.
 

O que representa lançar o disco no Arte na Praça?

(Enzo) – “Tocamos no Arte na Praça desde 2002 e sempre gostamos, porque é uma celebração, um momento que todos se reúnem. Acho fundamental lançar esse disco aqui, ainda mais aproveitando o retorno do evento para a praça. Faz falta quando passam os domingos e não temos os shows na Sérgio Pacheco, mas a vontade de vir tocar um som sempre existe”.

 

Catarse: “somos um bando”

 (Ricardim) – “Infelizmente a falta de verba nos impossibilita que possamos gravar um disco por ano ou até mais e, para esse disco, decidimos embalar nessa que o meio digital nos proporciona, com o financiamento coletivo. O capital que temos é o nosso público e como muitos estavam pedindo, optamos por unir todos. Acredito que mais do que uma banda, somos um bando, e todo mundo faz parte disso.

 

“Masculinidade em crise”

(Enzo) – “Não foi um tema que decidimos antes, mas sempre compomos respondendo a realidade que estamos inseridos, trazendo ela para a arte. Depois que fomos percebendo que as músicas traziam essa identidade. É uma reflexão daquele homem machista, sem querer embarcar em moda nenhuma, mas é um papo que não cola mais e ao mesmo tempo tem uma criação das pessoas nessa lógica, também brincamos com a piração dessa virada de chave, que achamos super positivo”

 

 Relação com Gustavo, Tulipa Ruiz e outras parcerias

(Enzo) – “Tudo começou pelo Gustavo Ruiz, que conhecemos desde a época do primeiro álbum. Contamos com a produção dele para o disco e, a partir disso, as coisas foram fluindo. A Tulipa, irmã dele, já curtia a banda. Teve o Luiz Chagas, a Ju Perdigão, que tem dois músicos da banda que tocam com ela, assim como o Chicão, que estamos juntos também, a Nath Calan que já tinha tocado em outro disco, a participação do Nereu (Gargalo), da formação original do Trio Mocotó. O Quique Brown, da Leptospirose, que já dividimos o palco e que há muito tempo queríamos chamar. Cada participação tem uma história e foi uma coincidência muito feliz contar com todos eles”.


Cena independente: “A palavra é transformação”

(Ricardim) – “É muito bom ver que a cena aqui não está parada. Lançamos o disco semana passada, a Lava Divers também lançou, a Cachalote Fuzz já havia lançado. Mais que viver de música é fazer e percebemos que a galera está produzindo, trazendo coisa nova. Todos fazem parte disso, vocês jornalistas, um portal, uma revista, uma casa de shows, o técnico de som, tudo isso forma a cena, não só as bandas. Acredito que a palavra chave para tudo isso desde o nosso primeiro disco é transformação”.

 

 

“Estamos sempre à espera do acaso”

(Enzo) – “Não temos planos de parar, mas também não sabemos o dia de amanhã. Estamos sempre à espera do acaso. Em 18 anos de banda, os quatro da formação original estão até hoje. Só o Chelo (baixista) tem oito anos juntos. Tem muita banda que não dura isso. Todos os integrantes que passaram por aqui deixam suas expressões no grupo e influenciam até hoje, e a entrada do Pedro Gongom na batera também foi demais”.   

 

 

Confira a resenha sobre o disco "Momento Íntimo". 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload